terça-feira, 16 de julho de 2013

Meu violino e minhas batidas

Você ouve o violino? Sim, exatamente agora um violino toca... Trilha sonora que escolhemos para nossos momentos. Escolhi violino... e uma batida forte e ritmada, às vezes descompassada, para embalar a história que eu vou contar um dia: a história da minha vida. E enquanto o violino grita e as batidas aceleram, meu coração pára de ansiedade e curiosidade: Como é a história da minha vida?
 
Imagino uma caminhada em que muitas vezes olhamos apenas nosso umbigo. E olhamos para onde convém e vemos o que interessa. Cada um escolhe uma direção e segue correndo, segue em arrastos, segue parado, segue de ré, cava um buraco, dá saltos... segue empurrado.
 
Imagino esta caminhada... Imagino quando damos a oportunidade a nós mesmos de olhar pros lados, de reconhecer o mundo, de encarar a vida, de encarar a vida acontecendo o tempo todo em todos os lugares. Imagino nos deixarmos contagiar pela realidade da vida de todo mundo. Imagino a paz sem tamanho que sentiríamos, a felicidade sem tamanho que sentiríamos e imagino a dor entalada na garganta de todo mundo.
 
Imagino se estendêssemos a mão, se déssemos as mãos, se desgruzássemos as mãos. Imagino a dor compartilhada, imagino o medo acalmado, imagino as dores sendo solidariamente divididas, imagino corações confortados e olhos se enchendo de esperança. Só há verdade na vida quando os momentos são divididos.
 
Imagino o ser humano sendo invadido por um amor explosivo, imenso e luminoso. Imagino essa luz cegando a inveja e o egoísmo. Imagino o ser humano sem umbigo, imagino olharmos dentro dos olhos uns dos outros. Imagino abraços fraternos. Imagino canções cantadas com emoção numa só voz. E imagino muito choro. Muitas lágrimas de alegria inigualável!! Sorrisos e lágrimas de felicidade por sentirmos que estamos todos juntos na mesma jornada e que não precisamos nos sentir sós.
 
As batidas aceleram ainda mais, o violino não pára nunca... A história da minha vida continua sendo contada.
 
Então olhamos para os lados... Vejo um beijo apaixonado que não termina, vejo um leito de morte, vejo alguém perdendo o emprego, vejo a primeira respiração de um recém-nascido. Vejo o primeiro coração partido, vejo almoço de domingo com a família, vejo irmãos que não se falam há anos, vejo filhos sem pais, vejo um pedido de casamento, vejo uma aprovação no vestibular, vejo o resultado de um exame positivo de gravidez, vejo um exame negativo de gradivez. Vejo uma discussão, um abraço de reconciliação, um grito de dor, um tapa na cara, vejo vingança, vejo um linda viagem, vejo insônia, vejo de tudo... vejo o que todo mundo vê... sinto o que todo mundo sente...
 
O mundo está repleto de vida, a vida está repleta de sentimento... Você pode sentir??
 
Deixe o som do violino da vida entrar por seus ouvidos e não tente evitar que as vibrações tomem conta de você por inteiro. Não interrompa sua conexão com esse universo. Envolva-se, cientize-se. Faça sua parte. Sinta-se vivo. Permita-se saber do que é capaz.
 
Grite!!! Grite!!! Grite!!! A vida é o mistério mais maravilhoso que existe!!
Tudo faz sentido.
 
Tudo tem explicação.
Tudo se encaixa.
Tudo tem consequência.
Tudo tem uma razão.

 
Deixe o violino tocar, deixe a vida te tocar.
Sinta a dádiva de estar vivo.
Aconchegue-se no peito de alguém que se ama e encoste seu ouvido na direção do coração, ouça as batidas... e sorria. Estar vivo é emocionante de maneira insuportável.
 
A Vida está no vento que sopra, a vida está em tudo que pode ser imaginado, está em tudo que se pode criar. A vida está onde quisermos. Nossa motivação está onde quisermos, onde nosso coração bate mais forte. Ouça o violino, ouça as batidas...
 

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Roleta Russa

Você fechou os olhos para não ver mas sabia do que se tratava. Era mais uma cega tentativa de encontrar o caminho ideal.  E não deu certo não foi?? E não deu certo...
Você ao menos desistiu de correr esse perigo bobo e de brincar com coisa séria? Você ao menos vai ser mais cautelosa e mais realista na próxima vez?
Eu sei que não...
Você é como uma roleta russa achando ser um carrosel. Não, não são cavalinhos coloridos que sobem e descem rodando em círculo ao som de uma musiquinha irritante para sempre. Você é mais ousada na escolha, você é mais inconsequente na escolha. Roleta Russa menina??
Você é que sabe de si. Você é que se propõe a ir longe e sem medir dificuldades, você que sai de pés descalços e coração aberto em meio a tanta confusão.
Eu tenho medo por você, tenho medo do que possa lhe acontecer, do que possa nunca acontecer. Muitas vezes receio que você desista ou que persista quando não é hora. Eu tenho medo de ouvir o seu choro abafado e não poder enxugar suas lágrimas. Eu tenho medo que essa certeza que você carrega possa te derrubar e te causar um calo com bolha (daqueles que não te permite mais continuar).
Às vezes você me assusta. Você quer ir muito longe sem uma bússola, sem mapa, sem referências. E você vai, sabemos que vai. Eu ainda não sei ao certo o que te prende, você é tão difícil de entender. Você me surpreende frequentemente com suas expansões de pensamento, com suas idéias esquisitas, com seus planos infalíveis e suas histórias malucas.
Eu me preocupo com sua energia, até onde ela pode te levar? Mas o mais preocupante é se essa energia pode te trazer de volta caso queira voltar...
Você não tem nada de mim às vezes... Você não tem nada de você às vezes...
Eu não sei como consegue se multiplicar e se agrupar novamente em questão de minutos. Eu não sei como consegue segurar tanta explosão dentro do peito e consegue andar por aí disfarçada de ninguém, passar despercebida e ainda incomodar! Você me faz rir muitas vezes. Você brinca de roleta russa porque sabe o que quer. Você arrisca seu coração sem pestanejar, e eu, fico esvaziando o tambor do 38 todos os dias...

Nós duas

Aos meus olhos eu nunca deixo de ser interessante, por isso sou minha melhor e mais fiel companhia. Eu nunca vou lutar por alguma coisa com tanta força como luto pelo que acredito. Nunca ninguém lutará pelos meus ideais, nunca ninguém vai abrir mão de seus sonhos pelos meus. Eu serei sempre minha melhor amiga, a mais íntima, a mais leal, a mais maluca... eu me conheço como ninguém. Nunca alguém poderá compreender o caminho escolhido por mim, nunca ninguém saberá a intensidade de ser eu mesma. Eu sozinha comigo é tão aconchegante, é tão romântico! Eu penso comigo mesma. Eu me chateio comigo mesma. Eu me perdôo, eu não podo minhas asas. Eu rio de mim mesma, eu choro e eu mesma enxugo minhas lágrimas. Não, isso não é solidão. Isso é intimidade, a maior de todas. Eu me vejo, me ouço, me cheiro, me gosto, me idealizo, me sonho, me conquisto, me magôo, me presenteio, me persigo, me boicoto, me conheço. E eu me viro com minhas loucuras, minhas guerras, minhas festas, minhas comemorações. Eu vibro comigo, eu me desafio e ganho! Eu ponho pingos nos meu "is", eu aparo minhas arestas, eu me viro do meu jeito. E meus pensamentos me levam longe e sempre aprendo comigo mesma. Eu entendo meu funcionamento e tenho a liberdade de funcionar de mil maneiras. Eu me encho de alegrias e de angústias e também me esvazio. Eu recarrego minhas pilhas e me deixo no cantinho quando preciso. Eu sou minha energia, minha força, minha alegria, minha vitória! De mim vejo brotar coisas boas, coisas lindas! Eu amo meu sorriso, meu olhar apaixonado, meu jeito debochado, minha meninice, minha mesmice, meu jeito de ser e de cativar, eu amo ser minha companhia permanente. Somos nós duas para sempre! E eu sou muito feliz porque eu escolhi bem!

(O momento de amarmos a nós mesmos não deve acabar nunca, no entando, sou muito grata a todos meus verdadeiros amigos, amigas e a minha família que me apoiaram sempre que puderam e como puderam. Também sou grata ao meu amor, que além de me namorar e enamorar, me faz agradável companhia. Reconheço a importância da companhia em nossas vidas, assim como reconheço a importância que devemos ter para nós mesmos).

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Faz-me cócegas

Os anos vão passando e além de mais velhos vamos ficando mais experientes, mais "cascas grossa", mais espertos, mais maduros... Pelo menos era o que eu achava. Dia vem e dia vai eu vejo que seria muito mais fácil se as coisas realmente acontecessem assim. Os anos vão passando e além de mais velhos vamos ficando mais desiludidos, mais desconfiados, mais descrentes, mais intolerantes e mais complicados. Perdemos a ingenuidade da juventude e ganhamos mau humor. Mais vividos sim! Isso nós vamos ficando mesmo, mas, vamos ficando mais ranzinzas, mais donos da verdade, mais donos de si, mais impiedosos. Quando nos damos conta, toda essa adolecência tardia que nos ataca nos faz sofrer como adolescentes, nos faz agir como bobalhões, nos faz enxergar que os anos passam e o nosso íntimo continua um bebê sedento por cuidado, por carinho, atenção, compreenção, compaixão, por amor, um amor para sempre...
Os anos continuam passando e além de mais velhos vamos ficando mais carentes de bondade, de verdade, de amizade, de paz, de um alguém pra te segurar a mão quando tiver medo. O tempo passa e o ser humano não fica mais forte, mais intransponível, mais seguro. Ele fica mais armado, mais disfarçado, mais convincente. No fundo, ele fica mais ciente da vida, percebe o que realmente importa, deseja simplesmente estar a salvo das tristezas do mundo, deseja ter um colo certo, deseja ter seu porto seguro.
Os anos continuam passando e além de mais velhos vamos ficando mais desnudos, vamos nos fechando por fora e nos abrindo por dentro, vamos ficando com nossas almas mais a mostra, vamos ficando mais a flor da pele, vamos ficando "no vivo". As informações, as palavras e os acontecimentos são mais claros, são mais diretos, são mais intensos. O desejo de ser feliz é o único que passa a existir dentro de nós, mesmo que pra isso seja necessário mudar valores e pontos de vista, que seja necessário mudar ou abandonar o emprego, que seja necessário mudar de casa, que seja necessário mudar os pensamentos, as abordagens. O desejo de ser feliz (e só isso) vem cada vez mais forte e o desejo de fazer isso acontecer faz almas rudes perderem a dureza, corações duros amolecerem, cabeças duras ficarem flexíveis, mentes agressivas ficarem dóceis. Faz picuinhas vivarem piadas, e desavenças virarem aprendizado, faz ofenças serem desconsideradas, faz besteiras serem relevadas.
Os anos vão passando e além de mais velhos vamos ficando mais ansiosos, vamos percebendo que a vida vai passando e perder tempo com coisas banais é o maior erro do mundo. Nossas almas sentem frio, sentem saudades, sentem medo... Mas se se é feliz, nossas almas sentem calor, sentem-se plenas, sentem segurança, sentem cócegas!
Cócegas na alma é que o porto seguro nos faz sentir! Um misto de riso, risada, brincadeira, leveza, tranquilidade, satisfação, felicidade, resplendor, euforia, contentamento e a certeza de que a vida vale a pena.
Os anos vão passando e além de mais velhos vamos ficando mais pressionados por nós mesmos, vamos sendo mais cobrados por nós mesmos e vamos entendendo cada vez mais que a decisão de ser feliz cabe a cada um. Vamos tendo mais certeza que a complexidade da vida deve ser desfeita em nossas cabeças e o tato para lidar com as dificuldades vem da nossa vontade de fazer as coisas darem certo. Vamos nos dando conta que tudo depende de nós, que não é fácil mas não é impossível, que ser feliz é mais gostoso. Vamos perdendo tanta coisa, tanta oportunidade e tantas pessoas que percebemos que nada é eterno. Percebemos que eterno é o desejo do ser humano de ser feliz, e, se isso é eterno é porque é a única coisa que podemos estar certos: a vida é curta demais para brigarmos por status, por posições, por orgulho, pra ganharmos a discussão, pra nos mantermos irredutíveis.
Os anos vão passando e além de mais velhos vamos nos deparando com a realidade da vida: ou você é feliz agora ou você pode se arrepender eternamente. Vamos relevando, baixando a cabeça, deixando passar, retrucamos menos, abraçamos mais, perdoamos mais, valorizamos mais a companhia das pessoas que amamos.
Os anos vão passando e além de mais velhos vamos ficando mais arrependidos de não termos voltado atrás quando fomos injustos, de não termos agradecido um belo gesto, de não termos relevado erros, de não termos deixado nosso orgulho de lado evitando dor. Ficamos mais arrependidos de não termos dado mais risadas ao invés de termos dado respostas rudes, de não termos abraçado ao invés de dar de dedo, de não termos aproveitado os momentos que nunca teremos de volta. Vamos nos arrependendo de termos dito poucos "eu te amo" e poucos "me desculpa"...
Os anos vão passando e além de mais velha eu vou ficando mais chata, mais convencida de que eu amo ser amada, mais convencida de que amar e ser amada é ser feliz, mais lamuriosa, exigindo em pensamentos: -Vem logo, meu porto seguro...
 
 
 
(Se você tem seu porto seguro cuide dele(a) com cuidado e dedicação. Não fique cego(a) diante do tesouro que tem em mãos. Viva essa segurança deliciosa que só um porto seguro pode proporcionar, e isso é para sempre...
Se você não tem um porto seguro, continue desnudando sua alma, desfaça-se das futilidades, abandone o superficial, agarre-se as alegrias e aos sentimentos verdadeiros, permita-se viver momentos profundos e permita-se sentir cócegas na alma...)

terça-feira, 23 de abril de 2013

Moscovo Mascavo

Sozinhévski moscovita. Delicadévski moscovita. Angustiévski moscovita.
Dostoiévski bem escrita. Loucura solta entre cúpulas douradas e coloridas, sangue de várias cores numa Praça Vermelha. Inquietante Mockba. Quanto do teu mistério e do teu glamour eu posso suportar? Meus conflitos em cirílico, minhas dores em Tchaikovsky. Minha paz e minha guerra em Tolstoi. Meu Ballet Bolshoi. Minha insegurança, como dói!
Desespero em Maiakovski. Depreiévski Moscou. Engula-me Moscou. Quanto de sua postura inabalável eu posso suportar? Quanto dessa ameaça russa você ainda vai manifestar?
Independenteiévski Mockba, tua doçura não chega a ser doce, açúcar mascavo. Moscovo Mascavo.
Quanto do seu frio você vai usar? Quanto ainda pretende ousar?
Marcanteiéski Moscou. Eu, moscovita diante de teu impiedoso frio e teu imponente mistério.
Quanto da tua grandiosidade eu ainda posso vivenciar?
Moscovita em Moscou... Fria e calculista Moscou. Teu império, teu fascínio. Em Moscou meu temor sem domínio. Assustadoraiévski Moscou. Impressionadévski moscovita. Quanto de mim você ainda poderia suportar? Quanto ainda poderíamos nos tolerar?
Incompreensiviévski Mockba. Moscovita incompreensiviévski.
Você Tchaikovsky, eu Dostoievski.
Você aí, eu aqui, nossa paz e nossa guerra...


(Moscovo=Moscou. Mockba=Moscou. Moscovita=mineral frágil)

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Nas ruas de Kiev

Kiev - Ucrânia, 6 de Abril de 2013.
Dia do meu aniversário e não por coincidência eu estava na Ucrânia. Meu sobrenome, minhas origens, busca pelas raízes, curiosidade me levaram pras ruas de Kiev. E foi impactante no início. Boa parte da cidade mostra claramente resquícios do tempo de URSS. Ucrânia não faz parte da União Européia também. Enfim, depois de conhecer muitas capitais européias percebe-se que Kiev destoa de todas elas. No entanto Kiev não é menos bonita e nem menos atraente, ela é chocante. Não sei de onde vem tanta religiosidade e tanta devoção. A Igreja Ortodoxa realmente impera. Cúpulas douradas espalhadas por tudo. É em Kiev o Monastério de Pecherska Lavra (o Vaticano da Igreja Ortodoxa) que reúne várias igrejas e várias catedrais suntuosas.
É incrível como toda a devoção espalhada por lá vai tomando conta e é tão espontâneo que inevitavelmente passa-se horas rezando, orando, agradecendo, acendendo velas, meditando, passa-se muito tempo em silêncio, em comunicação com Deus, em reflexão, em paz. Não poderia ter escolhido melhor: passei meu aniversário em oração. Não discuto religião, o importante, acredito, é a fé, o cuidado em agradecer além de pedir, importante é a oração que vem do coração. E como tenho a agradecer!! Agradeço a oportunidade de conhecer a Ucrânia, país da vózinha do meu pai. A pedido dele eu beijei o chão de Kiev como numa demostração de amor pela terra de sua origem, agradeço ter conseguido fazer isso por ele. Agradeço a família que tenho, os amigos sempre presente, meu trabalho que sempre me traz desafios e satisfações, as pessoas especiais que passam por mim, os momentos inesquecíveis. Agradeço minha saúde e de todos que me cercam. Agradeço tudo  que tenho recebido e toda proteção que me acompanha sempre. Agradeço a Deus pelo meu anjo da guarda, que se desdobra e vira mil pra dar conta das minhas idéias intempestuosas. Agradeço a força que tenho e a vontade de seguir. Agradeço a Deus todo sentimento bom que chega até mim vinda das pessoas que me gostam. Agradeço a Deus meus 32 anos. Agradeço, o agrado ao coração que Deus me fez, afinal, todo mundo sente dor em algum momento da vida e isso é inevitável. É inevitável também amar profundamente quando se está de coração aberto. E Deus tem me presentiado com lindos dias apaixonados e cheios de carinho.

Cracóvia Querida

Eu já não sabia pra que lado olhar, Cracóvia era toda mimosinha, toda lindinha, toda polaca. Polacas cozinheiras de mão cheia, trajando roupas coloridas, cozinhando seus pierogis. Linda praça com torre, com igreja, com mesinhas, com polacos indo e vindo... E Cracóvia estava lá, coberta de neve, toda escondidinha, discretinha, calada.
O silêncio de Cracóvia Querida era inquietante. Quem sabe sejam os anos de silêncio pelos ecos do terrível sofrimento que aconteceu nas suas proximidades. Cracóvia fica a 65km do Campo de Concentração de Auschwitz, o maior cemitério humano. Um lugar construído para fazer sofrer e que cumpriu seu papel, infelizmente. Os horrores são intermináveis, a lista é longa, nunca ouvi tanta barbaridade em tão pouco tempo na visita ao Campo de Concentração (quisera eu achar que isso é sensacionalismo, antes fosse... é a verdade nua e crua). Nesse lugar morreram mais de 1 milhão de pessoas, muitas foram torturadas, separadas de sua família, passaram fome, sede, frio, trabalharam até a exaustão, foram cobaias em experimentos, foram tratadas como vermes...
O Campo é próximo a um rio e diz-se que através da água o som do choro, gritos, torturas e suplícios eram ouvidos em toda redondeza. Cracóvia vive caladinha...
Sim, depois de ouvir toda a história e de ver resquícios dos crimes... Só se pode calar.
Mas antes de calar é impossivel não balbuciar algo como: "Meu Deus..." e ter seus olhos seus d´água.
Querida Cracóvia triste...
 
(Não só polacos sofreram e morreram em Auschwitz, no entanto, esse complexo-Auschwitz foi instalado em território polaco, impondo impotência e lamentação constante a esse povo.) 
 

Berlim 40 graus

-Berlim! Berlim!! - ela gritou.
Foi assim que a capital alemã foi escolhida para marcar definitivamente o início de uma história sem fim. E quem poderia imaginar que com um muro enorme daqueles as coisas poderiam dar certo? Sim, o muro era enorme! Dividia em 2, partes diferentes, o que hoje é 1 com muito gosto. Derrubamos o muro. (o muro viria abaixo sem que percebêssemos)
Berlim é uma.
Já imaginou um polvo em Berlim?? Eu era um polvo cheio de braços quando te vi. Eu tinha batimentos cardíacos no corpo todo quando te vi. Eu tinha riso incontrolável quando te vi. Eu tremi da ponta do nariz ao dedão do pé passando pelo coração quando te toquei. Tudo que sonhei estava ali... Ai Berlim Berlim...
E depois de beijos e mais beijos até a Deusa Irene e seus 11 cavalos tiveram arrepios!!
Berlim é inesquecível. (Você é inesquecível)
 
 
-Cadê o muro?? - ele perguntou.
-Não existe mais! - ela exclamou.
-Onde você estava todo esse tempo? - ele perguntou.
-Esperando por você... - ela sussurrou.
 
 
E enquanto nevava lá fora, em Berlim fazia 40 graus...
 
 
 
(Deusa Irene representa a quadriga sobre o portão de Brandemburgo)

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Pessoa insana em Viena

O que faz uma pessoa estar em Viena no fim do mês de março, numa congelante segunda-feira, andando pelas ruas ao redor da ópera, enfrentando fila interminável?
As pessoas costumam ser estranhas. Muito estranhas. Pessoas choram quando achamos desnecessário, riem alto demais, gritam "eu te amo" em praça pública, fazem sexo em becos, agridem com palavras, matam com pancadas, abandonam suas casas, mudam de emprego, deixam seu país. Pessoas costumam ter motivos próprios, motivos que nunca vamos entender.
Numa segunda-feira eu andava a esmo por Viena, sem pretensão alguma, e acabei sem querer numa fila que ainda não sabia onde me levaria. Sim, sim!! Pessoas também agem sem motivo! Tempo de sobra, férias, falta de compromisso com o tempo, com o lugar, com expectativas. Logo percebi do que se tratava, era fila para um espetáculo, uma apresentação de ópera na grande Ópera de Viena. Lá estava eu, quase imóvel naquela interminável  fila, acompanhada de inúmeras de pessoas ansiosas pelo mesmo barulho: o barulho perfeito.
Não demorou muito para eu perceber a figura estranha-engraçada-intrigante que estava na fila. Um homem de uns 50 anos, cabelos lisos e grisalhos, na altura do ombro. Vestia roupa social, porém percebia-se que não se tratava de um homem da alta sociedade mas um homem vestido apropriadamente apenas. Ele era inquieto. Estava desacompanhado, como eu. Mexia-se ininterruptamente. Virava-se pra lá e pra cá como se buscasse por algo. Falava alemão em alto e bom som, sozinho. Falava e falava pelos cotovelos, parecia reclamar, comentar, indignar-se. E mexia-se, virava-se, gesticulava. Logo a fila moveu-se e em poucos instantes estávamos acomodados em lugares estratégicos, lugares reservados para pessoas que assistem à ópera em pé. Como não poderia ser diferente, o homem-pérola posicionou-se exatamente na minha frente. Mexia-se, torcia-se, parecia incomodado, parecia curioso com relação às outras pessoas.
As luzes apagaram e o homem de atitude estranha mudou um pouco seu comportamento. Na fila parecia um louco varrido, no salão parecia um louco comportado. A Ópera começou. Ele calou-se. Nao ouvi mais seu alemão gritado e nem seus resmungos, pra um louco ele estava se saindo muito bem. Violinos e vozes ecoavam naquela ópera de acústica perfeita, o homem virava-se, olhava nos rostos ao seu redor como se quisesse observar e sentir o que acontecia ao seu redor. A cada momento de entusiasmo dos artistas, o homem ficava mais inquieto e perturbado com tamanha demostração de arte, dom e beleza por parte dos cantores e dos músicos. Realmente, Viena acumula pessoas de todas as partes com diversos interesses, como qualquer parte do mundo. Não podia ser diferente, na adorável Viena encontrei uma pessoa insana: eu mesma, por julgar louco um apreciador da ópera, por julgar louco um homem de baixa renda que junta seus trocados para assistir a uma ópera em plena segunda-feira, por julgar alguém que faz isso sob muita neve e mostra verdadeiro interesse pela arte, por demonstrar preconceito julgando louco quem deveria ser o mais são num mundo de materialismo e futilidade.

(Reencarnação de Wagner? Ou de Nietzsche????)

sábado, 16 de março de 2013

Perfeito!!

A perfeição não existe?
Existe sim e sei onde ela está.
A perfeição está diluída por aí, diluída em todos nós, presente em todos nós.
O que seria perfeição? Fazer algo de uma maneira que ninguém faria melhor? Acertar o momento? Escolher bem as palavras de modo que nenhuma outra substituiria? Ser insubstituível? Oferecer a alguém exatamente o que ela quer e/ou precisa?
Somos perfeitos várias vezes em vários momentos. Somos imprescindíveis para algumas pessoas, somos imprescindíveis para algumas pessoas em certos momentos. É perfeitamente compreensível que busquemos a perfeição porque somos imperfeitos e precisamos nos alimentar de sonhos. A perfeição é uma obra inacabada e incompleta, está espalhada, está oculta, está exposta, obra cara, obra gratuita. Algumas pessoas escondem suas perfeições e acabamos descobrindo com a proximidade e com a convivência.  (Algumas escondem tão bem que dificilmente alguém acha). Outras deixam suas perfeições a mostra, perfeições que identificamos no ato, que nos encantam instantaneamente, que nos surpreendem. É impossível não saber quando estamos diante do perfeito porque ele realmente nos abala. Você já viu um sorriso perfeito? (aquele que só você achava bonito e encantador). Você já ouviu a declaração de amor perfeita? (aquela que só arrancou suspiros de você). Você já esteve na companhia perfeita? (naquele momento que você não a trocaria por nada e nem por ninguém). Você já recebeu uma explicação perfeita? (aquela que ninguém entendeu mas que te tirou todas as dúvidas). O carinho perfeito (o que você estava precisando). A voz perfeita (a que te arrepia), a palavra perfeita (a que estava te faltando), a oportunidade perfeita (a que chegou na hora certa), o trabalho perfeito (o que te dá liberdade de ser quem você é), o amigo perfeito (o que não te abandona), o beijo perfeito (o que você tanto esperou), o dia perfeito (o que você acordou de bom humor), o desenho perfeito (o que te encanta os olhos), o cheiro perfeito (o que te traz boas lembranças), o presente perfeito (o que veio de coração), a proposta perfeita (a que você queria), o momento perfeito (o mais oportuno),  as promessas perfeitas (as que foram cumpridas), a família perfeita (a que Deus te deu), a pessoa perfeita (a que você ama)...
Que tal buscar mais as perfeições nas pessoas e dar menos ênfase nas suas imperfeições??
 PERFEITO!!

sábado, 9 de março de 2013

Dia comum

Só mais um dia como qualquer outro, só mais um dia comum. Seu alarme do celular toca, você come alguma coisa ou não, dá bom dia às pessoas, trabalha, encontra com pessoas no trabalho, conversa, dá risada, preocupa-se, irrita-se, cria expectativas, almoça com seus pais, assiste tv com seu irmão, joga a bolinha pro cachorro, anda descalço pela casa...
Esses dias comuns sempre me pareceram os mais entediantes de todos, os mais sem graça. Coisa engraçada essa! Na verdade, os dias comuns são a maioria em nossas vidas e se eles realmente não tivessem sua importância, que sentido teria a vida?? Dias comuns me assustam. Parecem inofensivos mas não são. São justamente esses dias sem aparente graça que judiam da gente no futuro. Sabe como? Judiam vindo em forma de lembranças e de saudades.  Como era bom ir pra escola de uniforme, correr no pátio, sinal pro recreio, tarefa de casa, almoço na vó, natal em família. Como era bom assistir desenho de manhã, sentir o cheiro do almoço, esperar ansiosa pelo aniversário para ganhar presente. Como era bom encontrar os amigos na faculdade, o nervosismo antes das provas, os papos nos intervalos, as caronas, as festas, as discussões bobas. Como é estranho não valorizarmos coisas simples agora e darmos o mundo por elas depois... Como é bom e dolorido não conseguir agarrar um instante pra ele nunca acabar. É muito estranho como sentimos saudades até de momentos tristes e de momentos de dificuldade.
Eu tenho medo desses momentos comuns, da rotina entediante, das coisas que parecem sem graça, dos instantes que parecem insignificantes. Às vezes passamos correndo e não nos damos conta do quão importante é viver cada dia. Um dia, os momentos insignificantes vão me fazer falta. Um dia eu vou desejar ter vivido tudo de novo. Um dia, o que está acontecendo hoje, nesse meu dia comum, vai apertar meu coração ao lembrar que sim, eu sou feliz e não sei. Todo mundo um dia olha pra trás e diz: "Eu era feliz e não sabia". Interessante não?!? Sabendo disso, podemos apostar que fomos felizes, que o que estamos vivendo é especial, que estar junto às pessoas que amamos é a melhor coisa do mundo.
Aproveite excessivamente seu dia comum  e possa dizer no futuro o quão feliz você foi e a certeza que tinha disso.

(Algumas vezes faltam recordações para te dar o prazer de reviver. Por esse motivo a minha compulsão por registrar tudo através de fotos, uma mania um tanto masoquista, diga-se de passagem).

domingo, 3 de março de 2013

Dias cheios de você

Os dias costumavam ser iguais, costumavam amanhecer e anoitecer pela metade... Eu costumava rir de encontros casuais e desacreditar do destino.
Eu costumava criar as oportunidades e costumava inventar minha história.
FOI então que percebi minha impotência diante das escolhas que eu não devia fazer sozinha, das escolhas que já haviam sido feitas por uma força maior...
Eu desisti de tentar ter sempre o controle, desisti de me dominar e comandar meus sentimentos e direcionar minhas energias. FOI nesse momento que os dias começaram a amanhecer e anoitecer por inteiro. FOI quando eu me tornei mais solta, mais apaixonada pela vida, mais interessada nos detalhes de cada um, mais fraterna.
FOI assim que minha alma perdeu o peso, minha mente aquietou-se, meu corpo dançou...
FOI assim que te conheci... no melhor da festa da minha vida, no momento mais sereno, no momento mais especial, no instante em que meu coração estava mais aberto, meu sorriso mais estampado, minhas idéias mais no lugar, meu amor mais pronto.
FOI no lindo 28 de dezembro que você passou a adicionar alegria extra às minhas horas, paixão nos meus pensamentos, ardor nos meus desejos.
FOI assim que eu fui presenteada e agradada pelo destino.
FOI intrigante, interessante e assustador observar as coincidências se encaixando, nossas histórias se cruzando, nossos sentimentos aflorando.
 
É assim que tem sido. É cheia de amanheceres e anoiteceres pensando em você que tenho me encontrado. É com você que tenho sonhado acordada e dormindo. É por você que eu tenho me apaixonado todos os dias. É com muito encanto que tenho acreditado em destino, pessoas certas, nas maravilhas que a vida nos proporciona. É com muito estusiamo que tenho cantado canções de amor e feito declarações.
 
SÃO cheios de você que meus dias iguais ficaram diferentes.
(É com ansiedade e muita paixão que tenho contado os dias...)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Mas ela não morreu


Ela vivia saltitante resmungando coisas engraçadas como se a vida fosse leve. Ela vivia esvoaçante como se pudesse voar numa realidade perfeita e eterna. Ela ria pelos cotovelos como se fosse feliz. Ela sonhava alto como se pudesse alcançar. Defendia suas idéias como se valessem de alguma coisa. Acreditava nos sinais como se eles dissessem a verdade. Ela idealizava os momentos com muita paixão como se fosse adiantar. Ela se entregava como não se deve fazer. Ela chorava pelos cantos como se sentisse medo. Não dormia de noite como se não pudesse sonhar. Enfrentava suas fraquezas como se fossem suas inimigas. Ela carregava tudo nas costas como se fosse aguentar. Desistia de tudo de repente como se desse pra escapar. Relutava em aceitar como se pudesse negar. Ela dançava como se seu corpo pudesse emitir som. Gritava por dentro como se ninguém pudesse ouvir. Aceitava imposições como se fosse tolerar. Despia-se lentamente como se alguém estivesse olhando. Ela rosnava como se fosse intimidar. Fazia tanta graça como se fosse conquistar. Inventava tanta moda como se fosse vingar. Filosofava como se achasse as respostas. Viajava toda semana como se pudesse fugir. Ela exagerava como não se importasse. Ela exagerava como se fosse faltar. Ela exagerava como se não fosse enjoar. Ela exagerava como se não fosse intensa o suficiente. Ela amava como se o mundo fosse acabar! Ah, isso sim... Ela amava como se o mundo fosse acabar!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Santa Maria

Tentando não falar no assunto, mas é impossível.
 
Que acontecimento horroroso esse de Santa Maria - RS.
 
Perder alguém é horrível. Perder alguém numa tragédia é algumas vezes horrível. E por culpa (imperícia, imprudência e/ou neglicência) de alguém??
 
O que realmente aconteceu logo todos estarão sabendo, no entanto é sabido que o lugar não estava preparado para funcionamento, afinal 250 pessoas morreram por não conseguir abandonar o local. Quando uma pessoa assume o risco de fazer alguma coisa errada, é crime, não é não??
 
O que dizer numa horas dessas?
 
Pessoas que comentem crimes podem ser punidas, mas vidas interrompidas não podem ser continuadas.
 
A morte prematura de alguém sacode definitivamente a vida de muita gente. Marca e muda profundamente a vida de muita gente.

Que dor horrorosa é essa?? Como fica o coração de uma mãe que liga 104 vezes para o celular de um filho sem ser atendida? É um desespero sem tamanho, é uma dor que corrói e causa buracos pra sempre.
Multiplicando essa dor (de familiares, amigos, namorados, noivos, colegas de trabalho) por 250, qual é o resultado???
E de pensar que podia ter sido evitada...
 
O resultado é dor coletiva, é revolta, é indignação, é compaixão, é muito silêncio, é muito choro no silêncio...
 
Amanheci engasgando quando vi o noticiário. O clima pesou, o tempo fechou. Impossível não se comover e não sentir dor junto.

Luto.

E depois que o luto passar, que as pessoas coloquem mais a mão em suas consciências e parem de causar dor desnecessária... só quem já passou por dor de verdade sabe do que se trata. Vida é coisa séria e não se brinca com coisa séria.

Que Deus esteja presente em cada minuto da vida desses familiares e amigos desolados, para que consigam suportar essa dor sem dimensão.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Pastel de Belém

Sabe as vontades que vêm do nada? (estou sorrindo sozinha agora...)
Será que essas vontades vêm do nada mesmo?
De repente me deu vontade de andar por ruas estreitas de pedras, de andar entre edifícios de azulejos!

Nessa caminhada vejo uma escadaria de mármore numa praça e também um arco com personalidades históricas... 
Do outro lado um elevador com nome de santa... Justa!
Justo ouvir sons mas... espera! Ouvi alguma coisa, foi um chiado?
Chiado! E se "a alma não é pequena" posso ir em um café à brasileira!
Mas e esse cheiro?? Pastéis!! E ainda tem uma torre com o mesmo nome!
De repente uma vontade de andar livremente por uma avenida. Avenida! Liberdade!
Hummm e se tudo acontecesse lentamente como seu piscar! E se tudo for lindo como seu sorriso!
Sabe do que estou falando? Essas vontades que vêm do nada...
Esse nada que damos o nome que quisermos...

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Rolling Stones

Meus ruídos não fazem barulho mas trepidam dentro da minha cabeça. Incomodam. Desestabilizam. Distorcem. Complicam. Britadeira. Caneta de baixa rotação. Carroça em pedregulho. Turbulência nos céus de Chicago. Cano de escape solto. Patins no asfalto inacabado. Mala com rodas numa calçada de petit pavé. Furadeira no concreto. Gelo no liquidificador. Metralhadora.
Minha arte de misturar barulhos, minha mente inquieta que compra ruídos que passam. Ruídos confusos que remexo até transformar em música. Minha música é o rock (pedras que rolam).
Um rock, uma melodia que embala meu dia-a-dia. Sem regras mas muito bem arranjado. Sem dúvidas, são apenas 3 acordes. Rebelde pacífico. Complexo na teoria, prático na prática. Imponente mas delicado. Verdadeiro. Curioso. Atento.
Se parar pra ouvir (sem preconceito) verá que do ruído eu faço música... Da música faço um hino...
Do hino faço emoção... Da emoção faço paixão... Depois disso não faço mais nada, faz-se sozinho...

domingo, 6 de janeiro de 2013

Todo o tempo do mundo

E ser romântico é sonhar! E eu sonho sem dó, vôo longe mesmo! Afinal, se não for pra voar longe de que adianta tirar os pés do chão?
E até me pergunto se ter os pés no chão dá certo mesmo. Pelo menos ter os pés no chão não é tão estimulante quanto voar. Quem voa corre um risco maior de se machucar, no entanto estamos na chuva!!! Vai ficar se escondendo de toldo em toldo e ficar se molhando aos poucos? Ambos sabemos que vai se molhar de qualquer jeito. Eu meto o pé na poça, canto e danço na chuva, e daí? É muito mais divertido aceitar a chuva e aproveitar cada pingo com alegria!! Vai resmungar a cada gota?? Mas se for assim nem saia de casa.
Minha chuva ilusória me alimenta. Cada um escolhe um combustível para ter energia para viver e eu escolho o sonho. Sonho porque não custa nada sonhar.  Tornar o sonho realidade pode ter seus custos mas querer tudo de graça é muita folga, não é não?
Sonho só é sonho até virar realidade, afinal toda realidade nasce de um sonho. E sonhar é tão bom! Entorpece naturalmente, revigora. E que tal fazermos coisas impossiveis juntos? Adoro coisas impossíveis porque elas são incríveis quando acontecem!! E que tal sonharmos juntos?? Podemos acordar e realizar tudinho!! Afinal, "temos todo o tempo do mundo".
P.S.: Belíssima inspiração de Legião Urbana, música "Tempo perdido".

Surpresa!! Game Over

A banda terminou de tocar, a música parou, as luzes se acenderam... Acabou.
Não se serve mais comida, ninguém mais vai beber, ninguém tem mais força pra dançar... A festa acabou.
 
Terminar não é ruim necessariamente. Terminar de realizar um trabalho é satisfatório, terminar de ler um livro é conclusivo, terminar um prato de comida é prazeroso. Terminar uma briga ou terminar um relacionamento que vai mal é um alívio. Quando uma dor acaba é um alívio!! E quando seu chocolate acaba? E quando o beijo acaba? E quando o papel higiênico acaba?? E quando alguém morre? Quando sua paciência acaba? E quando já acabou seu tempo de perder tempo?
 
Infelizmente e felizmente tudo tem um prazo e uma hora ou outra chega ao fim. Inevitavelmente nos deparamos com o fim das coisas, às vezes com o fim de sentimentos, fim de momentos.
Alívio para o fim das coisas que nos incomodam e lamento para as coisas que nos trazem alegria.
 
Mas pensando bem, ainda bem que as coisas acabam. Ninguém consegue rir para sempre numa gargalhada interminável, acho que morreria de cãimbra na barriga ou morreria de falta de ar (ou seja, acabaria de qualquer forma), e se não acontecesse isso, no mínimo perderia a graça.
 
Que tudo acaba todo mundo sabe, o que a gente não sabe é o momento que isso acontece.
 
Surpresa!! Você perdeu seu emprego!!
Surpresa!! Suas férias acabaram!! Seu casamento acabou!! Sua juventude já era!!
E então meu caro, vai encarar essa como??
 
Imagino que o fim de uma etapa marca o início de outra e quem sabe esteja aí a grande "sacada". Etapas meu caro!! Hora da insegurança, hora da adaptação!!
 
O que não pode passar despercebida é a contatação que, independente da idade, todas as pessoas sentem insegurança na hora de mudar suas atitudes para se adaptarem as novas circunstâncias. E o mais interessante é que essa insegurança torna-se mais assustadora porque a medida que nos tornamos mais donos de nós e de nossas idéias imaginamos que nossa força aumenta e que de certa forma nos tornaremos inabaláveis. No fundo no fundo somos crianças crescidas que perderam sua verdadeira coragem. E sabe quando percebemos isso?
Quando menos esperamos...
 

domingo, 25 de novembro de 2012

Verde e Amarelo

Eu nunca acreditei em nada porque não o fazendo eu não tenho chance de ser enganada. Autodefesa. Ceticismo. Realmente livrei-me de algumas emboscadas e rejeitei oportunidades garantindo menos dor (ou não... quem sabe recebi menos amor)
(Silêncio)
Hoje lembrei de uma coisa que ouvi há anos de um adolescente: "acredite nas pessoas, acredite nas possibilidades, acredite no que parece ser, acredite nas palavras que te dizem e nas promessas que te fazem. Entre de cabeça. Se você for enganada, pelo menos fez o que podia e saberá que a culpa não foi sua".
(Silêncio)
(Silêncio)
 Quando somos jovens é tão mais fácil sonhar, é tão mais fácil acreditar!
 Mais tarde conhecemos a decepção. Mais tarde passamos a encontrá-la semanalmente...
(Silêncio)
(Silêncio)
(Silêncio)
Quando somos adultos é tão difícil não sonhar e tão difícil não acreditar!
É tão dolorido não pisar firme com os dois pés, deixando um sempre atrás...

(SILÊNCIO)

Melhor fechar os olhos (como um adolescente) e arriscar para ver se dá certo? Ou fechar o coração (como um adulto) e arriscar nunca saber a resposta???

Medo de sentir dor?? Com medo ou sem medo vai doer quando tiver que doer.

(Estou começando a desistir da autodefesa e ter coragem de acreditar de corpo e alma que as pessoas têm mais cores, mesmo sabendo das vezes que me decepcionarei de verde e amarelo)
 
FOTO: Depois de andar na areia deixando um pé sempre atrás...

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Lacuna

Nem sei por onde começar, tudo virou de ponta cabeça de vez. O que era meu eu não dei valor e me desfiz, o que eu estava conquistando eu dei um jeito de jogar bem longe, o que eu não queria eu atraí, novas possibilidades afastei, corri do que era certo e do que era errado, corri de mim mesma.
A palavra que mais amo e mais odeio é: solidão. Na solidão me encontro e na solidão me perco.
Essa mescla de amor e ódio me confunde tanto que eu não percebo onde estou, como estou e o que fazer. Odeio tanto a solidão que busco companhia a todo o tempo e a amo tanto que afasto tudo na mesma hora. Conheço pessoas que vivem sozinhas e adoram, conheço outras que vivem cercadas de gente e adoram. E eu? Onde eu fico?
Sempre brinco que existe uma lacuna no mundo, onde ficam as coisas que perdemos, as oportunidades que desperdiçamos, as coisas que jamais sentiremos e onde eu me escondo um pouco por dia. Sei que estou na lacuna quando não quero ficar sozinha de jeito nenhum e muito menos com alguém por perto... a lacuna é o vazio de viver sem saber como, de querer conviver e não se sentir confortável, de não suportar o incompleto. O mais difícil é saber como completar-se e se realmente existe uma forma. Quem sabe o mais difícil nem seja isso, seja eu conseguir parar de pensar nisso e ter calma pra ver as coisas acontecendo e permitir que fluam. Eu não deixo nada fluir, interrompo com um grito, com uma frase mal formulada, com uma atitude escrachada... por medo...por medo...por um terrível medo de estar no caminho certo e minha busca ter que acabar.
Eu sei que hoje estou na lacuna porque está doendo demais existir. Nada me alegra mais, nada me entristece mais... eu sou um poço de solidão, invadido por uma multidão vazia e esquecido nessa correria. Eu canso de correr porque quando estou pra alcançar eu mudo a direção e começo a correr no sentido contrário. Cansa ir e voltar, ir e voltar sem nada... ir e voltar com a sensação de ter tido medo mais uma vez de ir até o fim. Dói me transformar num monstro pra causar euforia e afastamento, dói me fingir de coitada pra atrair atenção, dói me esconder em mim mesma e não deixar ninguém me ver de verdade. Dói encarar as coisas como são, dói ver que poderia ser diferente, dói saber que a culpa é minha e só minha... Dói a mescla de amor e ódio pela solidão. Dói viver na lacuna..

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Delírios de sábado a noite

Acordei intensa no meio da madrugada, chorei bastante e gostaria de estar com você agora. Sua companhia me faz falta. Poucas coisas fazem sentido nesse mundo sem pé e sem cabeça mas, meu sentimento faz sentido porque eu sinto de verdade, porque está dentro de mim. Peço a Deus que neste momento você sinta em sonho o puro sentimento que tenho, e, nunca desapareça da minha vida (não porque eu preciso de você, mas porque eu me sentiria incompleta). Quando lembro de você (e do que sinto) me sinto feliz e isso me dá forças. Sabe por quê???
 Porque se nesse mundo o amor é possível... eu ainda quero viver...

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Não tem remédio

Nós, pobres coitados, vítimas dessa vida ingrata e insensível... Como pode existir dor em escalas insuportáveis? Como pode haver amor em escalas indescritíveis? Pra que existe a saudade? É pra doer mais? Somos testados o tempo todo e o pior é que trocamos uma dor pela outra. Sempre na escolha tem dor, tem angústia, tem perda. O sentimento é algo abstrato que não entendo como não podemos fazê-lo desaparecer, escolher o que sentir, escolher a intensidade, deletar a saudade... Porque saudade é sentimento burro, eu excluiria em primeira mão, só faz sofrer, só faz doer.
Mas a verdade é que a saudade até tem jeito, é só matá-la. E quando matar a saudade te traz tristeza de verdade e te faz adoecer? E quando não matá-la te mata por dentro por não poder preencher o vazio que nada preenche? Eu tenho saudades das saudades do tempo de infância, das brincadeiras, das coisas engraçadas... O vazio das outras saudades eu engulo todos os dias causando dor de estômago, isso quando não pára na garganta e dá vontade de chorar. Saudades tira o sono (se fosse só falta de sono eu tomava remédio pra dormir, mas quando é angústia que dói no corpo inteiro e sua cabeça bagunça tudo dizendo: "seja forte")? É irônico que no meio a tanta saudade você às vezes não pode fazer nada, nada, nada. Tem que aceitá-la simplesmente porque parece ser o certo a se fazer. E nós fomos donos de nós mesmos, sucumbir nos enfraquece... No entanto, morrer de saudades não está me deixando mais forte...

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Simples assim

Me deu saudades de quando as palavras saíam mais facilmente, vim até o blog e me assustei quando percebi que minha última postagem foi há quase 1 ano. Então a reflexão começou. O que eu fiz neste tempo todo que não tive nada a dizer? Sempre relatei meus sentimentos, desgostos, alegrias e um belo dia isso deixou de acontecer... Logo eu que adoro um monólogo ou um debate sobre modos de pensar, de agir, de encarar situações, de aceitar coisas que diferem dos nossos princípios (engolir sapos, essa é a verdade). De qualquer forma eu cheguei a conclusão que me faltou energia. Alguma coisa estava me consumindo e muitas coisas ficaram esquecidas ou apenas deixadas de lado porque não havia ânimo. Sabe quando o dia-a-dia vira um fardo? Quando vc acorda de manhã e pensa: "Que droga, mais um dia", ou quando não se reconhece no espelho (o tempo passou mais rápido que você).
Sabe quando sua comida preferida deixa de ser gostosa? E quando reuniões em grupo te apavoram? Quando você não quer mentir mas também não quer falar a verdade? Quando você só quer ficar bem mas não sabe como? E quando olha pro lado não vê ninguém? Sabe quando você descobre que não está bem de verdade e então as pessoas se afastam porque pessoas com problemas são negativas? Sabe quando você precisa dos amigos e eles simplesmente somem? Somem, somem, desaparecem...e então você repensa suas companhias, seus valores, repensa todo o tempo em que você foi verdadeiro e quem sabe não estivessem sendo com você? O que eu digo é que depressão é algo que não desejo pra ninguém. É uma coisa que ninguém escolhe ter e nem escolhe quando ela vai embora. Mas uma coisa que eu não desejo nem pro pior inimigo é a decepção com amigos, é você achar que tem 10, e, descobrir que tem mesmo 1. Isso dói mais que a falta de vontade de sair da cama, que as rasteiras que a vida nos dá, as coisas que não saem como esperamos. Amizade é carinho, amor e consideração, e quando você descobre que isso nunca existiu dói muito. E neste tempo que fiquei sem expor meus sentimentos no blog eu vivenciei situações bem chatas envolvendo amigos (as) de faz de conta, que eu peço a Deus pra me fazer mais esperta e saber diferenciar as pessoas bem intencionadas, das mal resolvidas. Esse é um desabafo. Não quero mais "amigos", quero AMIGOS, que me aceitem com meus problemas, limitações, particularidades, que me aceitem como o ser humano que sou, sempre sincera, autêntica, sensível. Caridade nessas horas não é bem vinda, quero AMIGOS, cansei há muito tempo de "fazer social", pessoas investigando sua vida, falando por trás e pouco se importando como você está de verdade. Queridos e queridas colegas que adoram um "social" regado a falsidade, inveja e espiculação: Não percam seu precioso tempo comigo!!! ( e não me façam perder o meu, principalmente!!!)

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Você se sente em casa?




Amantes de viagens sabem do que vou falar: da sensação incrível de estar em lugares inéditos, culturas curiosas, comidas exóticas, pessoas interessantes. Eu pergunto: Existe sensação melhor que a de explorar o desconhecido, de desfrutar do novo, de se maravilhar com possibilidades, de viajar?

Eu mesma respondo:

Sim existe, melhor que isso tudo é a volta pra casa.


O lugar não é inédito. É o mesmo de sempre, os mesmos móveis, as mesmas cobertas de cama, a mesma vista da janela, a mesma rua, as mesmas construções, mas você conhece, e, te dá um ar de familiaridade.
A cultura não é curiosa, e se for, você já está acostumado. São as mesmas situações, os mesmos probleminhas de sempre, mas as mesmas alegrias que te dão um ar de aconchego.
A comida não é exótica, é a mesma comidinha de sempre. É o feijãozinho cheiroso que só a mãe faz, é a macarronada caseira que só a vó faz, comidinha simples, nada demais, mas que dá um cheiro no ar que não se encontra em outro lugar.
As pessoas são as mesmas. Acontecem os mesmos conflitos, os mesmos erros, as mesmas vozes, os mesmos gostos, os mesmos jeitinhos, mas que dão um ar de família.

Nada como a sua cidade. Nada como a sua casa. Nada como a sua cama, a comidinha de casa, nada como a sua família. Pensando nisso tudo, o que me vem a mente é o fato de que em dado momento de nossas vidas (nos relacionamos com pessoas), algumas pessoas nos passam um ar ameaçador, outras um ar fechado e introspectivo, algumas parecem invadir nosso espaço, outras bagunçam nosso espaço, mas, eu estou querendo chegar justamente naquelas pessoas cuja companhia faz você se sentir em casa.

Você já sentiu isso? Acredito que algumas pessoas nunca vão experimentar isso e algumas vão experimentar 1 vez (2, quem sabe??). Quem já sentiu isso sabe bem do que estou falando (sensação incrível, bem melhor que viajar! É quando o abraço do amado é o seu lar...)

Relacionamentos assim são raros, são os relacionamentos onde não existem segredos entre o casal, onde tudo é compartilhado, onde tudo é feito às claras, onde existe cumplicidade, verdade. É quando tudo que você quer e espera está diante de você. É quando você não tem vergonha de cantarolar desafinadamente e embromar no inglês, quando não tem vergonha da alface no dente, quando tem tranqüilidade em falar dos seus planos futuros, dos seus sonhos, de suas dificuldades, quando você não tem vergonha nem medo de pedir ajuda. É quando você pode contar e, principalmente, quer, contar com seu amado. É o seu colo, sempre.
É magnífico, porém, não depende só do outro, depende também de estarmos abertos a isso, de queremos nos envolver, de queremos dividir, nos expor, é uma sintonia única, simples de tudo, sem maiores explicações, como a nossa casa... É um aconchego sublime. Tudo é mais leve, tudo é mais simples, tudo é mais gostoso, é quando o seu dia-a-dia é um eterno retorno pra casa...

(Se você tem isso, sinta-se premiado, e, claro, aproveite e sinta-se em casa)
(Se você não tem isso, reflita... você está realmente abrindo as portas de sua casa??)

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Fechado para reforma



Gostaria de agradecer a atenção e carinho das pessoas que seguem o meu blog e que me incentivam a continuar. Resolvi dar um tempo (não sei ainda quanto tempo) para colocar algumas idéias no lugar e achar o tão sonhado "caminho do meio" (adiante, em textos futuros, quem sabe eu volte a falar nisso). O blog é meu canto mas é um canto de vidro, transparente, exposto, e, às vezes precisamos de reflexão em silêncio, precisamos da "metamorfose silenciosa". E, quando o muro é baixo, o povo pula.



Agradeço do fundo do coração as pessoas que curtem os meus textos e sempre passam por aqui! Obrigada e até breve!

domingo, 28 de agosto de 2011

Cicatrizes




Desde o momento de nossa concepção estamos expostos. Os acontecimentos em geral nos influenciam, nos transformam, nos marcam, e, fazem de nós o que somos. Com os anos, com o crescimento, o amadurecimento, vamos somando experiências e claro, guardando suas marcas. Somos como impressões digitais: um diferente do outro, portanto, cada qual com suas marcas. Insisto em falar de marcas porque hoje meu pai deixou o hospital depois de 7 dias internado. Meu pai passou pela experiência de realizar uma cirurgia de alto risco, de muito trauma sendo apenas um jovem de 55 anos. Vemos diariamente situações parecidas, mais preocupantes, menos preocupantes. O fato é que, viver isso é único e marcante. Marca de várias formas. São inúmeras cicatrizes que num primeiro momento chocam, e, foi assim que encontrei meu pai, chocado. Então, o que eu disse ao meu pai foi que cicatrizes são apenas marcas, que logo estarão até mais bonitas, e que, isso é o que menos importa porque ao longo da vida vamos ganhando mais e mais cicatrizes. Algumas nós conseguimos enxergar, outras imaginamos, outras nem sequer fazemos idéia (às vezes percebe-se pelo olhar). Eu tenho 30 anos e tenho várias cicatrizes (algumas pequenas e outras enormes). São feridas que damos um jeito de curar, mas que nos acompanharão para sempre, dizendo o que vivemos, dizendo o que somos.


Enquanto jovens o que mais nos importa é a aparência e mais tarde vemos que isso é o que menos importa. O que é uma cicatriz?? É a prova de que vivemos. De que estamos expostos. De que somos frágeis mas que somos fortes. De que somos guerreiros. É a prova de que somos capazes de vencer obstáculos e de nos erguer, prontos para a próxima. Cicatriz é história pra contar. Cicatriz é vivência, mas cicatriz é passado superado.

(Tenho uma cicatriz na testa que não me envergonha. Alguns amigos brincam que parece tiro de chumbinho!! rsrsrs. Na verdade caí sobre um bule, o que é mais engraçado ainda!! Essa sou eu.)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Você já teve um amigo que te carregou no colo?





Todos sabemos a importância das pessoas importantes na nossa vida (que tal isso??), sabemos a importância dos amigos. Quando falo amigos, não digo colegas, nem amigo de festa , eu digo aquele amigo que te tem como irmão, que vai com você até onde precisar, que passa fome com você se for preciso, que compra sua briga (você estando certo ou não). Amigo que não desiste de você. Amigo que busca incessantemente o seu sorriso, a sua felicidade. Amigo que não dorme enquanto não tem a certeza que você está bem. Amigo que te acolhe em casa, te acolhe na tristeza e no desespero, que te acolhe no abraço e não te solta nunca mais. Amigo que não te esconde a verdade, que é leal sempre, e que não vê razão na vida senão lutar ao lado das almas próximas. Amigo que acolhe sua alma como se você fosse um pedacinho dele, e então, você passa a ser. Amigo que mesmo distante fisicamente ou não tendo um contato freqüente está no mesmo lugar: no posto de amigo para o que der e vier. Amigo que tira forças, palavras e paciência do fundo do coração, simplesmente por gostar, por querer bem, por amar. Pela simples amizade...verdadeira (preciosidade).


(quem é seu melhor amigo?)




quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Piso na bola mas também faço gol




De fragmentos e pedaços somos feitos todos os dias e, todos os dias, somos feitos em fragmentos e pedaços. Com nossa particularidade nos fazemos e nos refazemos. Só nós sabemos de nós mesmos. Só nós sabemos a dor, só nós sabemos o amor, só nós sabemos se valeu a pena, só nós sabemos o peso de nossos atos. E dos tempos lá de trás sempre trago coisas: “Que atire a primeira pedra”...quem nunca se arrependeu, quem nunca se derreteu, quem nunca voltou atrás. Calma aí meu amigo, serenidade...porque ninguém passa ileso, e, sua hora também vai chegar. Hora de quê, Deus Meu?? Hora de tudo. Hora de perder e de ganhar. Hora de dar a volta por cima. Hora de pedir, hora de agradecer, hora de repensar, hora de se envergonhar, hora de compreender, hora de perdoar. E quando o cerco apertar, imploro ao bom Deus que tenhamos arremessado nossos pedaços apenas aos nossos pés, que não precisemos sair se esquivando, se justificando, se encolhendo. Que tenhamos vivido com maturidade e com humildade. Que saibamos reconhecer nossos valores e nossas fraquezas. Que saibamos viver sem segurar o choro, sem segurar o abraço, sem ter medo.
Que possamos repousar nossa consciência sem pesar, que possamos seguir sem lamentar, que possamos nos alegrar de termos sido justos.


(hoje é uma data especial)

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Alguém se importa??





Saber viver é uma arte, saber viver sem se abalar a todo instante é uma arte. É mesmo uma arte, ou é falta de sensibilidade? Algumas pessoas criam defesas naturais para não se deixarem abalar e realmente passam com mais facilidade pelas situações. Também é verdade que fazem isso com mais facilidade mas com menos emoção. Eu queria saber não ir tão fundo nas questões. Como se faz “vista grossa”? Como se faz para deixar pra lá? Como se faz para ignorar os defeitos e as pisadas de bola das pessoas que nos cercam e as nossas próprias? Como se faz para conviver com nossa imperfeição e admitir que erramos e que vamos continuar errando e errando? Como se faz para não cansar de presenciar imundícies por todos os lados e ter vontade de continuar fazendo parte disso?
Isso é não saber viver? É falta de exercitar a tolerância? É não ser sociável? Acredito que seja um pouco de cada coisa, eu acho... Não sei se é impressão, mas parece que está cada vez mais difícil de viver. As coisas parecem mais complicadas, mais envenenadas, mais superficiais, mais desgastantes, mais sem sentido. Sou eu ou está mais difícil viver?? Só eu ou ninguém mais se encaixa nesse mundo??
Eu odeio a maldade das pessoas, e nisso eu estou me incluindo também. Sou errada tanto quanto cada um que conheço e isso desanima. Desanima ver que está tudo errado e que todo mundo ainda tem que crescer muito, mas muito mesmo. Em meio a toda essa confusão eu tento achar um lugar confortável, mas não encontro nunca. Falta eu me encontrar?? É o que se fala por aí, sobre auto-conhecimento e tal. Mas alguém conhece alguém que é tão bem resolvido que simplesmente existe e não se deixa afetar?? Alguém que realmente acha que cada folha de árvore cai porque tem que cair? Sim, eu sou confusa, questiono demais, peco por excesso de insegurança, erro por ter baixo limiar de tolerância e me deixar abater com facilidade. Entristeço-me por ser intensa e não ter paciência. A ansiedade me consome. E tenho sido um peixe fora d´água.
(espero que seja uma fase, ou, vou morrer sem ar... ou sem água??)

sábado, 23 de julho de 2011

Grande perda: Amy Winehouse


Acabei de ver o noticiário na tv e ouvir o que eu esperava não ouvir pelo menos pelos próximos 30 anos: Amy Winehouse morreu. A notícia entrou cortante pelos meus ouvidos, ouvidos de uma fã, de uma profunda admiradora.



Amy era uma menina de 27 anos. Insegura, incrivelmente insegura. Carente. Problemática. Carregada de dores. Carregada de talento. Voz inconfundível, estilo único. Dói ver uma artista tão promissora como ela perder a vida por motivos óbvios: não saber lidar com suas inseguranças e suas dores. E sabe mais?? Como todos nós... Muitas vezes não sabemos lidar com nossas inseguranças, sofremos, fazemos outras pessoas sofrerem, nos sentimos sozinhos, desamparados, buscamos fugas e muitas vezes queremos sair correndo sabe-se Deus pra onde (um lugar seguro para nos refugiar). Infelizmente Amy buscou seu refugio nas drogas e na bebida. Sentia-se nitidamente apavorada quando estava em lugares com muitas pessoas, ficava claro seu desespero com a possibilidade de estar sendo avaliada, julgada, observada. E nós muitas vezes sentimos esse pavor também (ela colocava isso em suas composições). Amy era a fragilidade em pessoa, a insegurança estampada, era o medo de viver. Mas, quando resolvia cantar de verdade fazia todo mundo calar a boca, ela brilhante. Brilhante também foram suas origens na música. Ela ouvia Frank Sinatra quando pequena! Aprendeu a flutuar a voz com Billie Holiday, com Dinah Washington (e muito mais). Se inspirou no R&B, no jazz, no hip hop, no soul. Vou no comum: Uma menina branca com uma poderosa voz negra (cantores negros são donos das melhores vozes, alguém discorda?). O que ela fazia com a voz dela era brincadeira? Sim, ela brincava e sem fazer careta! E eu lamento muito o que ela podia fazer e não fez. Quanto poderia vir... Amy foi uma das grandes revelações, uma artista única. Registro aqui minha dor não só pela perda da artista (uma das minhas preferidas) mas também por ver um ser humano frágil, um menina deslocada (com a qual me identifico muito, a qual procuro entender) acabar assim, sozinha, vítima das drogas, vítima do mundo moderno, das transformações... Agora, orar para que fique bem onde estiver.



(Amy era muito original. Ninguém vai poder fazer o que ela faria, porém, espero que novos artistas se inspirem nela e em suas origens e que produzam bons trabalhos)

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Dose melancólica



Eu quero estar entre girassóis e tulipas, bromélias e gérberas, lírios...muitos lírios. Quero ver crianças soltando barquinhos de papel na correnteza de um límpido rio, torcendo junto a seus pais para que sigam sem afundar. Quero música, vozes afinadas, arranjos impecáveis. E quero aceitar o movimento contínuo dos relógios. Quero aceitar o prazo de validade das coisas. Quero aprender a conviver com lembranças...essas delícias não palpáveis. Quero tirar o nó da garganta. Quero parar de me lamentar pelas perdas e desfrutar mais das verdades do presente. Quero entender a sutileza dos sentimentos, a vulnerabilidade... Quero apreciar as artes sem sentir a dor por trás das poesias, ou melhor, não deixar que me envolvam a ponto de não ver as cores. Quero parar de me esconder e assumir minhas melancolias. Quero parar de querer e parar de frustar minha alma. Quero encontrar mais detalhes lindinhos da vida e esquecer que, em sua essência, a vida é triste. As pessoas, todas, convivem com dores diariamente, com frustrações, com decepções, saudades, vontades, arrependimentos. Quero desacelerar essa minha maratona desesperada e chorosa em busca de uma fuga. A vida é aqui e agora. E agora? Pra que lado devo olhar? Tudo parece triste e efêmero... Vou tomar uma dose de amnésia e esquecer a melancolia.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Simples Lembranças

Hoje o blog completa 1 ano e, por essa razão, selecionei (dentre vários textos que escrevi desde os 12 anos - saudades...) um texto que escrevi ainda no século passado! Mesmo quando muito jovens já recordamos, já temos saudades, já temos lembranças...

Simples Lembranças

No momento mais sensível,
Quando a lágrima ameaça cair,
Quando eu me encolho num canto,
E sinto meu corpo arrepiar...

Quando lembranças vêm à tona,
E as saudades me invadem,
Quando quero fazer mágica para recordar...

Quando me lembro de tudo,
Quando dramatizo o mundo,
Quando me desespero,
É quando quero,
Que tudo volte num tempo,
Em que tudo aconteceu.

Mas nada posso fazer,
Tudo acontece apenas uma vez,
Cada vez de um jeito,
De um jeito especial.

Quando a vida nos surpreende,
É quando se aprende,
Que tudo é passageiro,
Mas que tudo tem um fundamento,
E que tudo marca um momento
da nossa vida...

terça-feira, 17 de maio de 2011

Aniversário



É com satisfação que vejo este blog completantando (no próximo mês) 1 ano. Nasceu de uma simples idéia e hoje é um cantinho acolhedor, onde posso me "esconder" e me "despir" se eu quiser e quando quiser. Durante 1 ano muitas coisas acontecem (qualquer pessoa pode confirmar isso) e comigo não foi diferente. Inúmeras lembranças, alegrias, quanta risada, quantas lágrimas, quantas amizades, quantos sentimentos! Sou grata às pessoas que acompanham meu blog e que dividem comigo sentimentos diversos. Sou grata às pessoas que se fazem presente na minha vida, que se fizeram presente e anseio pelas que virão fazer parte dela. A vida é linda quando escrita em cores! Minha vida sem dúvidas é colorida, tem seus cinzas, seus vermelhos, seus rosas, seus azuis, seus brancos. Eu gosto das cores que as pessoas acrescentam. Adoro pessoas laranjas! Adoro as estampadas! Adoro os sentimentos sinceros, adoro o companheirismo! Vou continuar usando canetas coloridas, usando aquarelas e colorindo as pessoas ao meu redor! Continuar me deixando seduzir pelas companhias agradáveis e fiéis, por pessoas do bem, que querem o bem, que vivem o bem, que vivem de bem! Viver rodeada de amor é viver em cores! Eu amo! Eu amo!

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Meu amigo imaginário

Sempre tive um amigo imaginário, o mesmo, sempre. Hoje ele tem 12 anos de idade e chama-se Robert Harrison Zimmerman Cash. Digo "sempre" porque ele está em minha vida há muito tempo, mal lembro dele não ter estado nela. Robert me acompanhou em muitos momentos, muitos esteve presente e em outros se fez presente mesmo à distância. Sempre gostei muito e admirei muito o intrigante Bob.

Sabe...Bob sempre me surpreendeu com sua amizade, com suas idéias, com seus conselhos. Robert sempre foi especial. Desaparecia por um tempo mas logo voltava, era leal. Muitas vezes eu me peguei falando dele para as pessoas, na maioria das vezes com admiração e até encanto. Robert sempre foi meu melhor amigo. Ele surgia nos lugares mais inusitados, muitas vezes em lembranças... Meu companherinho de vida: Bob. Eu nunca estive completamente sozinha e desamparada, sempre tive sua mão estendida, sempre reconheci Bob de olhos fechados. Tínhamos um pacto de sinceridade (até o fim) e eu ainda cumpro esse nosso acordo e eu acho que ele também, não quero acreditar no contrário. Esse meu amiguinho não tem igual, não tem parecido, não tem comparação.

Robert às vezes atropela algumas coisas, ele argumenta muito bem e às vezes argumenta quando não devia. Mas sabe...eu também faço isso e nós dois sabemos que em alguns momentos não se deve retrucar e sim, admitir que não fez certo. Acho que me identifiquei tanto com ele justamente por sermos parecidos em muitas, muitas coisas mesmo e por reconhecer no outro as suas fraquezas. Nunca imaginei minha vida sem pelo menos ouvir um barulhinho do Bob, sempre quis ele por perto, sempre apreciei sua companhia e seu jeitinho. Nossa, ele completa 13 anos neste ano e nós deveríamos comemorar essa nossa união, mas, Bob me deixou confusa esses dias. Parecia diferente, distante e impaciente. Fiquei triste. Meu amigo não parece ser o mesmo. Será que eu não fantasiei muito sobre ele? Quem sabe ele nem soubesse da importância que sempre teve. Ouvi dizer que se diz "eu te amo" a um amigo que gostamos de verdade, e, infelizmente eu nunca tive essa habilidade. No entanto, acho que Robert precisa saber: Eu te amo meu amigo. Quem sabe você seja fruto da minha imaginação mas peço que não vá embora como um fantasma que se desintegra no ar. Eu tento entender que quem sabe nossa amizade tem essa idade: 12 anos, e só...

Bob, não machuque meu coraçãozinho, por mais descompassado que ele possa ser, ele te ama de verdade e sempre sentirá sua falta nos momentos que você não estiver presente.

Sabe amigo, você é muito importante pra mim, mas, sei que nossas escolhas somos nós que fazemos. Sabe Bob, fiquei chateada quando descobri que você derrubou tinta nas minhas fotos nos últimos meses. Sei que até posso, ou podemos, tentar limpar, mas sempre ficam manchas e marcas. Elas nunca serão as mesmas. Mas, sabe Bob, quem sabe pudéssemos tirar juntos novas fotos e você esquecer a história da tinta, será que você faria isso?? Faria por mim? Faria por você? Penso mesmo em começar um álbum novo, não descarto a possibilidade de que você faça isso comigo. Sabe, lembro que brinquei de esconde-esconde com você e você sempre disse que eu me escondia muito bem. Eu preciso admitir Bob, eu sempre estava na sua frente, pra onde você nunca olhava. Queria também falar das boladas que te acertei ultimamente, acertei sem querer e te dei umas dores de cabeça. Acredite Bob, não foi de propósito. Nunca faria isso com meu melhor amigo. Aliás, não tome dipirona, você é alérgico e fica com a cara engraçada. Engraçado Bob, compartilhamos muitas coisas, não é? Muito obrigada por me ouvir, você é o melhor ouvinte. Então ouça: meus sentimentos são de verdade.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Entardecer


É hora de parar para assistir ao espetáculo do fim do dia. O sol está caindo a oeste em cores vibrantes, em silêncio, mas, escandaloso.


O entardecer ofusca nossos olhos, forçando-nos a espremê-los como num ato de reverência ao deus Sol.

O fim de tarde é aveludado, é sublime, é lindo. Neste momento o dia se despede, sem discrição, justamente para anunciar e encerrar uma jornada.

O entardecer é reflexivo, ou, deveria ser. O que você fez do seu dia? Você cumpriu suas tarefas? Você ajudou alguém? Você foi além das expectativas? Amou? Valorizou os pequenos gestos? Rezou? Abraçou? Está em paz consigo mesmo? O dia já pode anoitecer? Você conseguirá dormir? O sono será tranqüilo?

Às vezes passamos a noite em claro como se ainda estivéssemos no entardecer... São dias que deveriam ser maiores para que nossos conflitos fossem resolvidos antes da hora de dormir. Dias curtos em que o entardecer emenda com o amanhecer, em que as estrelas passam despercebidas porque os olhos estão voltados para dentro, para o outro, ou para alguma coisa mal resolvida.

Prazerosos são aqueles dias em que o entardecer é um presente para o dever cumprido e para a alma lavada, para a alma amada, para o coração confortado... Prazerosos são aqueles dias que têm noites, em que se repousa, em que se dorme com um discreto sorriso nos lábios e no coração.

O entardecer te pergunta: Você está maravilhado com minhas cores e meu estardalhaço? Ou só mais hoje seu dia não acaba bem? Você consegue apreciar o espetáculo ou sente náuseas ao ver que ele se aproxima? Você está apto a desfrutar das cores e do veludo com o espírito leve e feliz?

Como foi seu dia, querido??

domingo, 3 de abril de 2011

Somos feitos de quê?

Somos feitos de peito.

Somos todo coração?

Na verdade somos todo peito, um incrível tórax para bater de frente. Somos feitos para suportar tudo e qualquer coisa que encontrarmos em nosso caminho, com cabeça erguida e com dignidade. O homem é forte. O homem é rocha.

O homem sente dor, e quando deseja, utiliza essa dor para seguir, para crescer, para produzir. Enfrentamos nossas dores, nossos pesares, nossas ilusões com a força que foi dada ao homem (a força de sair de situações, não de forma ilesa, mas de forma honrosa).

O homem tem peito.

Peito para peitar suas fraquezas e para encarar sua realidade. (O homem tem peito para mudar sua realidade se quiser). Peito para suportar o que vier.

Sim, sim, sim...é no peito que dói, é no peito que aperta, mas é a cabeça que sucumbe. (Isso às vezes me preocupa).

A quanto anda a sua cabeça? Afinal, temos peito, mas às vezes, falta serenidade e até um pouco de sanidade.

Dor de verdade é coisa de louco! Coisa de perder a cabeça e de perder a razão.

O homem tem peito mas também tem cabeça...

O peito peita... nem sempre a cabeça aguenta. (Eu tenho medo disso).

Às vezes atropelamos tudo, passamos pelos problemas como uns tratores, o peito bate de frente em tudo, e então, você percebe que é muito pra cabeça. Hora de parar de derrubar obstáculos, hora de organizar os derrubados, de reconhecê-los e de passar por cima, com a mão na consciência, com a cabeça no lugar, com a sanidade mantida, com ciência, consciência... tranquila.

(A dor não é privilégio de poucos, é privilégio de todos. A felicidade não está a disposição de poucos, está a disposição de todos)

(às vezes sou um tratorzinho enfurecido que atropela inclusive meus sentimentos. Minha cabeça sente e o corpo quer padecer. Cuidado, muito cuidado em ser um tratorzinho...)